SHIBARI
Cordas : FLANKUS
Shibari é uma palavra japonesa que significa “amarrar”. Ela não é derivada do Kanji 縛, já que existe na língua japonesa (de forma não escrita) antes da importação por monges budistas do sistema de escrita chinês no Japão. Shibari se escreve com o Kanji 縛 e o Hiragana り, formando 縛り(Shibari). A origem de amarrar corpos vem do hojojutsu, que era uma técnica usada no Japão feudal para imobilizar os prisioneiros, nesse período nos interrogatórios usavam técnicas de torturas com cordas (Semenawa).
Há muito tempo, quando o Japão passava por turbulência política e ainda não estava unido sob um único governo, os membros da classe guerreira consideravam seu nobre dever honrar seu nome capturando prisioneiros no campo de batalha. Juntamente com as outras artes marciais, a arte de capturar (Hobakujutsu, 捕縛術) e imobilizar (Hojojutsu, 捕縄術) com cordas era intensamente treinada.
Após a paz no país, as artes de amarrar passaram a ser usadas exclusivamente como técnicas de prisão, sendo essas tarefas delegadas a samurais de baixa patente. Sob o xogunato Tokugawa, no período Edo, o Hobakujutsu/Hojojutsu era praticado apenas por policiais com patente de Torikata-Doshin (捕方同心) ou inferior, não por samurais com patente de Yoriki (与力) ou superior.
A partir do período Meiji (1868 a 1912), pessoas que não tivessem sido especificamente designadas para tais tarefas foram proibidas de usar Nawajutsu/Jojutsu (縄術), ou seja, usar cordas para realizar prisões, mesmo de supostos criminosos. Consequentemente, o número de praticantes da arte de amarrar diminuiu. Alguns dos Bujutsuka (武術家), aqueles que eram treinados em artes marciais e aqueles encarregados de prender e transportar prisioneiros, agora aprendiam apenas o básico, como técnicas necessárias para prisões iniciais e amarração temporária (Hoshu Hayanawa, 捕手早縄) e técnicas de corda úteis para o transporte de prisioneiros (Gosoyo Nawa, 護送用縄).
Por volta 1900, esta tortura era representada em tradicionais teatros Kabuki, em peças como Nisshin Senso – Youchi no Kataki-tan ( Primeira guerra sino japonesa – o conto do ataque noturno), onde enfermeiras japonesas eram humilhadas e torturadas por soldados chineses. Essa peça tocou profundamente um rapaz de quartoze anos chamado Seiu Ito (伊藤晴雨). Alguns anos depois ele tornou-se num investigador, pintor e fotógrafo das torturas, principalmente as que envolviam cordas, em 1928 ele publicou o primeiro fotolivro referente a este assunto chamado “Seme no Kenkyu” (Estudo da Tortura), também organizou vários shows em teatros e hoje em dia é conhecido como pai do Shibari.
Já no pós-guerra entre as décadas de 50 e 60, revistas como a Kitan Club, onde seu conteúdo era bem variado e tinha como temas o sexo, tortura, histórias de detetive e ficção científica. Abriu espaço para várias representações de fotografias e gravuras de pessoas amarradas, que influenciou diretamente o pink cinema na década de 70, foram criado vários filmes sobre o erotismo com cordas, com a criação das fitas VHS na década de 80, a popularidade do Shibari disparou e Nawashi’s como Eikichi Osada, Shikou Shima, Akechi Denki, Arisue Go, Nureki Chimuo e Haruki Yukimura, tornaram-se celebridades no Japão, aparecendo constantemente em reportagens. Difundiram a cultura SM (sadomasoquismo) no país, e também formaram uma geração de rigger’s que permitiram que a arte de atar saisse do Japão.