VERMELHO
VERMELHO é um projecto em torno do prazer. Das emoções de uma mulher. Assenta na razão de ser, na essência. Na masturbação, na energia transmitida. A sexualidade, sensualidade e essência animal. O orgasmo, e os múltiplos orgasmos. A revelação da intimidade pelo gesto, pelo olhar, comunicando. É um relato conceptual desses momentos intensos.
Pretendo questionar sobre os dogmas existentes da masturbação feminina, as normas culturais e religiosas, tabus e preconceitos da masturbação ao longo da história, que colocaram esta prática como algo negativo e maléfico nalguns países e sociedades até aos dias de hoje, não permitindo que as mulheres desfrutem de sua sexualidade na plenitude. A educação sexual que as mulheres recebem é ainda pobre ou limitada em comparação com a do homem.
RED is a project around pleasure. Of a woman's emotions. It is based on the reason for being, on the essence. In masturbation, in transmitted energy. Sexuality, sensuality and animal essence. Orgasm, and multiple orgasms. The revelation of intimacy through the gesture, through the look, communicating. It is a conceptual account of those intense moments.
I intend to question the existing dogmas of female masturbation, the cultural and religious norms, taboos and prejudices of masturbation throughout history, which have placed this practice as something negative and harmful in some countries and societies to this day, not allowing women to enjoy their sexuality to the fullest. The sex education that women receive is still poor or limited compared to that of men.
Painel composto por 50 fotografias
Medida: 2.85x2.15m
Contexto:
A Bíblia não menciona a masturbação. Durante séculos as autoridades de diversas igrejas cristãs trataram o tema como proibido. Desde a Idade Média multiplicam-se textos religiosos e pseudomédicos que a referem como uma "doença pós-masturbatória", especialmente prejudicial às mulheres. "Por terem o sistema nervoso mais fraco e com uma maior inclinação natural para espasmos, os problemas são mais violentos", escreveu o neurologista francês Samuel Tissot, em 1760.
Masturbação e proibição são dois termos que também estão associados no Islão. "O Corão proíbe a masturbação para homens e mulheres", diz à BBC Mundo Rehan Aslam, do Sakoon Councelling, serviço de aconselhamento islâmico do Reino Unido.
Mas Heba Kotb, sexóloga muçulmana que apresenta um programa de TV no Egito, discorda. "A masturbação não é totalmente haram (proibido) ou halal (permitido) no Corão, mas fica a critério do fiel",
Nos países do Golfo Pérsico, onde as mulheres enfrentam limitações sociais, assim como no norte da África. Refere o escritor e ativista jordaniano Fadi Zaghmout.
"Fazer sexo antes de casar não é aceitável aqui (Jordânia). E masturbar-se é vergonhoso aos olhos da sociedade", escreveu ele. "Para os homens não é um problema (...). Mas para as mulheres é uma vergonha", destacou.
E há partes do mundo onde a situação ainda é mais extrema.
Nomeadamente a mutilação genital feminina (MGF), que consiste na remoção parcial ou total da genitália externa da mulher, por razões não médicas e constitui uma grave violação dos direitos humanos. Esta prática retira à mulher o prazer sexual. Está presente em diversos países e culturas realizando-se geralmente quando as vítimas são ainda crianças ou jovens, por vontade da família e do grupo social onde vivem ou de onde são originárias (no caso das famílias migrantes).
A MGF pode ser realizada de diversas maneiras, com a remoção apenas do clítoris, o corte completo dos lábios vaginais e/ou o estreitamento do orifício vaginal, deixando apenas um espaço mínimo para a passagem da urina e do fluxo menstrual. Em regra a prática da MGF ocorre durante festividades culturais e é frequentemente efectuada com recurso a lâminas e outros instrumentos não esterilizados. Por este motivo e tendo conta a região sensível do corpo da mulher que é afetada, é comum que a prática do corte dos genitais cause às vítimas dores intensas, hemorragias, infecções, dificuldades na eliminação da urina, fezes e fluxo menstrual, complicações nos partos, dificuldades e dor nas relações sexuais, para além de severas consequências psicológicas.
São diversas as razões que motivam a persistência da MGF, podendo destacar-se razões sociais, estéticas (o órgão genital é considerado feio e impuro antes da mutilação), religiosas, sexuais (limita o desenvolvimento saudável da sexualidade da mulher) e económicas (as pessoas que executam este ritual auferem rendimentos que garantem o seu sustento).
Estima-se que a mutilação genital feminina esteja concentrada em 30 países da África e do Oriente Médico, e ocorra também em alguns países da África e da América Latina, e em comunidades de imigrantes que vivem no Leste Europeu, na América do Norte, na Austrália e na Nova Zelândia, afirma a ONU. De acordo com estudo do Unicef em 29 países da África e do Oriente Médio, a prática ainda é adotada em larga escala, apesar de 24 desses países terem leis ou outras formas de proibição contra a MGF.
Para os especialistas, no entanto, a abordagem do assunto tem mudado ao longo do tempo e a tendência é deixar de ser tabu, com o fortalecimento e a autonomia da mulher. Segundo eles, as mulheres falam sobre a sexualidade mais abertamente – e os brinquedos eróticos são um exemplo. Mark Regnerus, do Instituto Estudo da Família e Cultura, da Universidade de Austin, no Texas, discorda. "No geral, as pessoas não gostam de falar sobre masturbação", disse ele à BBC. "Isso acontece apesar das constatações de que a frequência com a qual homens e mulheres se masturbam vêm aumentando", acrescentou. Richard Michod, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade do Arizona, afirmou que o problema é "evolutivo". "Fazer sexo é natural. Falar disso, não."